ABCDelas: mulheres profissionais em foco

Acervo pessoal — Adquira seu exemplar aqui.

Chegou em minhas mãos um abecedário diferente. A cada letra há uma profissão, uma mulher que a exerceu e uma linda ilustração em aquarela para representá-la. O livro é do selo Cia das Letrinhas e foi escrito e ilustrado por Janaina Tokitaka, roteirista de televisão e autora de quarenta obras voltadas para o público infantil e juvenil.

Anésia Pinheiro Machado, a Aviadora, inicia esse livro que conta com minis biografias e historinhas para exemplificar a vida de cada uma das citadas. Depois temos, por exemplo, Nair de Tefé como Desenhista, Maria Firmina dos Reis como Escritora, Kate Warne como Investigadora, Naomi James como Navegadora, Inez Beverly Prosser como Terapeuta, Ng Mui em Kung Fu e muitas outras mulheres que juntas completam esse alfabeto de profissões feito por pioneiras ou quase isso.

Cada uma das mulheres citadas nesse livro carrega em suas histórias uma espécie de enfrentamento ao que se esperava de seu gênero. Algumas, inclusive, também de sua etnia. Praticamente todas sofreram tentativas de apagamento sistemático de suas presenças e ações em algum nível e é por isso que só agora, após várias tentativas de resgate e, principalmente, divulgação com viés feminista, que passaram a ser conhecidas pelo grande público, incluindo crianças.

A importância desse tipo de trabalho estar disponível para meninos e meninas em formato de livro ilustrado está no fato de que desde crianças somos condicionados a acreditar que determinadas profissões são masculinas e outras femininas. Sendo as áreas consideradas femininas vistas como espaços onde o brilhantismo não tem tanta importância ou lugar. Nesse sentido, uma pesquisa que reuniu profissões das Universidades de Nova York, Princeton e Illinois, nos Estados Unidos, concluiu, por exemplo, que meninas, já aos seis anos de idade acreditam que genialidade é algo masculino.

Livros que mostram mulheres de um passado distante conquistando espaços, exercendo profissões diferentes e marcando presença na história acabam por combater estereótipos de gênero, fomentar a autoestima feminina e, de certa forma, transformar significados que damos culturalmente a certas palavras, especialmente quando elas se relacionam com profissões. Quem navega pode ser uma mulher. Quem estuda biologia e geologia também.

Um abecedário de profissões que valoriza mulheres, especialmente aquelas pioneiras, ajuda a construir e sedimentar no público infantil ideias positivas sobre a capacidade feminina. Meninos e meninas que crescem cercados de ideias como as promovidas por essa obra se tornam meninos e meninas que prezam pelo combate ao machismo.


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Publicado por

Thaís Campolina

O que falta em tamanho sobra em atrevimento. Isso foi dito sobre um galinho garnisé numa revista Globo Rural dos anos 80, mas também serve pra mim.

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