férias de verão

ou 14 elefantes incomodam muita gente

Acervo pessoal — Colagem digital de Thaís Campolina 

14 elefantes viajam pela China nesse momento
formando juntos um coletivo de andarilhos 
com motivações desconhecidas

14 elefantes viajam pela China nesse momento
intrigando juntos massas de pessoas
com motivações reconhecidas

14 elefantes viajam pela China nesse momento
sendo observados por curiosas espécies locais 
de cientistas turistas autoridades
 ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ e eus

a manada percorre
tempo território espaço
e numa lógica animal
visita vilas cidades condados
atravessa rios
trilha estradas
ocupa fazendas
desviando de drones 
que tentam fazer o bando 
voltar pra casa 
sem nem perguntar 
o que eles acham disso

rota migratória
retiro espiritual
desejo por aventura
simples teimosia
fuga

não importa o nome

um cara branco vai 
escrever um texto no LinkedIn 
sobre a força de vontade 
desses bichos enormes e motivados

um jornalista brasileiro vai 
publicar a tradução de uma matéria gringa
sobre esse intrigante mistério
 ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ animal

e eu
eu vou fazer um poema 
sobre a memória 
dos elefantes

se você gostou desse poema inédito, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook, Twitter,  Tinyletter  e  Instagram.

Pequeno acervo de projetos literários interessantes

Obrigada, Canva, por mais essa graça alcançada

POR QUE LISTAR?

Revistas e portais literários são meios importantes de divulgação de trabalhos de novos autores, lugares de experimentação e diversidade e espaços de incentivo e democratização da leitura e da escrita.

Pensando nisso, e também nos debates sociopolíticos que essas revistas, portais e sites podem fomentar, eu reuni numa thread do Twitter vários projetos que versam de alguma forma sobre escrita e arte, sendo todos eles acessíveis de maneira gratuita e online, ainda que alguns também ofereçam serviços pagos. Como nem todo mundo que escreve e lê usa a rede social em que publiquei originalmente essa tentativa de acervo, decidi postar por também aqui.

A LISTA

O portal Fazia Poesia conta com uma equipe de 255 poetas, espalhados em mais de 60 cidades e 5 países, e publica de 2 a 4 poemas por dia. Além disso, também tem podcast, colunas e artigos, fora oficinas pagas.

Hospedada no Medium, há também a revista eletrônica da Mormaço Editorial, editora independente de literatura brasileira contemporânea. Com mais de 60 autores na equipe, a Mormaço publica cerca de 10 textos por semana.

Organizada pela Thainá Carvalho, a Revista Desvario tem como mote valorizar a escrita e o trabalho visual das mulheres. Além de publicar autoras e colagistas de diversos lugares do país, o projeto também promove um podcast e um clube de leitura.

O portal Escritor Brasileiro promove chamadas frequentes com temas específicos para construir sua Revista Subtextos, publica entrevistas com autores independentes e posta resenhas, crônicas e afins.

A Revista Torquato nasceu em 2019 em Manaus e tem o objetivo de difundir trabalhos de autores de todos os países lusófonos, dando uma atenção especial à produção amazonense.

A Mirada é um projeto colaborativo e um espaço dedicado às artes e à pluralidade construído pela Taciana Oliveira. Com publicações semanais, tem como proposta fomentar ações culturais proporcionando aos leitores conteúdos que valorizem a construção de ideias e a valorização da diversidade.

O portal de entrevistas literárias Como Eu Escrevo é um espaço feito para conhecer mais sobre nomes da literatura brasileira e seus processos criativos e de escrita.

A Mallamargens é uma revista de poesia e artes visuais. O veículo tem atualizações diárias, números mensais e está no ar desde 2012.

A Tamarina Literária é voltada para a divulgação da literatura brasileira contemporânea, tendo como ênfase a literatura autoral. Apesar de manter uma equipe de colunistas fixa, também aceita colaborações externas. Suas edições mensais são publicadas no Medium e podem ser baixadas em formato PDF pelo linktree do projeto.

Cassandra busca valorizar a escrita das mulheres. Editada por Milena Martins Moura e Cecília Lobo, a revista tem uma equipe fixa e também trabalha com convidadas. Fora isso, tem ISSN e parceria com o coletivo de escritoras EscreviVentes.

As poetas Júlia Raiz e Natasha Tinet constroem a Totem & Pagu, uma firrrrrma de poesia que une palavras & colagens & muita ousadia.

Editado pela Mia Sodré, o Querido Clássico é um portal mais que literário feito por mulheres que escrevem sobre cultura e clássicos: literatura, cinema, história, televisão, arte. Se você gosta de pesquisar, ler e ensaiar sobre esses assuntos, vá atrás. O site conta com uma equipe fixa de colaboradoras, mas é possível participar pontualmente também.

A Revista Sucuru é uma publicação brasileira (e nordestina) de literatura e arte contemporânea. Como tal, se propõe a divulgar, incitar e inspirar a produção artística e literária do Nordeste e do Brasil na contemporaneidade; publicando tanto autores iniciantes quanto veteranos, de todas as regiões do país.

A Revista Rubiginosa nasceu do fim da Alpaca Press e assim como ela tem como ideal divulgar o trabalho literário e de artes visuais de mulheres. Em hiato desde o ano passado, é possível acessar e baixar as duas edições da revista clicando em sua página de links.

O Toma aí um Poema é um portal que edita coletâneas, divulga artigos literários em seu espaço, posta notícias de lançamentos independentes e publica leituras poéticas em um podcast disponível nos principais streamings e Youtube e afins.

A Revista Arara é um projeto que busca mapear artistas e eventos culturais numa plataforma digital e multimodal fácil de usar. Ampla, é possível encontrar toda espécie de arte em seu acervo, contendo também material em espanhol, buscando uma conexão com o restante da América Latina.

A Felisberta é uma revista de poesia editada por Eduarda Rocha, Marina Rima e Matheus Hotz entre Maceió, Belo Horizonte e Juiz de Fora. O projeto publica poemas, traduções, contos curtos & artes visuais.

A Alcateia é bimestral e reúne textos sobre processo criativo na escrita, narrativas diversas, leitura e tudo que se relaciona a esses tópicos, além de contos e poemas.

Com edições trimestrais, além de algumas temáticas, a Revista Gueto é um portal de literatura em língua portuguesa que publica muita coisa boa.

O projeto Mulheres Que Escrevem também é voltado para a valorização da escrita das mulheres e tem como mote promover uma conversa entre autoras. Além de oficinas, Instagram, podcast e afins, a equipe também mantém uma publicação no Medium repleta, principalmente, de poesia.

A Escamandro é um projeto voltado para poesia, crítica e tradução e já tem mais de uma década de vida.

A Ruído Manifesto é uma revista voltada para literatura, crítica e audiovisual sediada no Mato Grosso, mas aberta para a publicação de textos em língua portuguesa.

A Revista Ikebana tem como enfoque produções nacionais de autores LGBTQIA+, mulheres e pessoas pretas.

A Germina Literatura é uma revista digital e independente voltada para difusão da literatura e da arte. Perto de completar 20 anos, publica todos os gêneros literários e encoraja aproximações com outras artes como cinema, fotografia, música e teatro.

Entre tantos projetos legais, destaca-se também a Revista Acrobata que tem um trabalho voltado para literatura e artes visuais. Tem resenhas, artigos, traduções e, claro, poesia e prosa.

A Noturna é uma revista literária focada em publicar contos de autoria feminina que transitem entre a literatura fantástica e o horror.

A Revista Perpétua é uma revista digital bimestral que tem a intenção de impulsionar a carreira de escritores e ilustradores pouco conhecidos. Possui newsletter e diferentes colunas.

A Revista Emília é um publicação digital independente e gratuita que, desde 2011, se dirige a todos os agentes que trabalham a leitura e a escrita como instrumentos para a formação de leitores críticos e conscientes.

A Revista Piparote é um espaço criado para o debate e para a divulgação de ideias no campo da Literatura e das Artes. Pretende-se divulgar no meio digital e impresso novos autores nacionais e internacionais; bem como lançar um piparote sobre o túmulo para reavivar a gênese dos mortos.

A Revista Ventania pretende ser um lugar de integração e divulgação do trabalho de jovens pesquisadores, pensadores, artistas ou criadores. Publica ensaios e textos literários.

A Revista Gratuita é uma publicação literária da Editora Chão de Feira. Até então são cinco edições que podem ser baixadas em formato PDF e lidas pelo site.

A Revista Lavoura é anual e tem apoio da Reformatório e do Estúdio Risco.

A Aboio é um portal de divulgação cultural que publica contos e crônicas, poesia, crítica e tradução. Além do site, o projeto conta com um podcast, uma newsletter e um apoiase.

A Revista Poça é uma publicação digital de textos poéticos feitos por mulheres. O projeto mescla palavra e imagem, encorajando a expansão do trabalho poético. 

A Revista Cupim é uma revista de literatura, elaborada em formato digital. Dividida em leitura, escrita e conversa, publica ensaios, contos, crônicas, traduções, poemas, cartas e entrevistas.

A Revista Caju é um espaço cultural voltado para a difusão de todo tipo de arte. Passeando no site, a gente descobre que a curadoria do projeto é voltada para literatura, música, artes visuais, cinema, artes cênicas, cidade e arquitetura, pensamento e carnaval.

A Revista Uso é uma publicação impressa, semestral, direcionada à visibilidade e circulação de trabalhos em textos e artes. Além das edições físicas, a Uso também se desdobra digitalmente.

A Revista Contos de Samsara é uma produção literária digital de assiduidade bimestral que tem como intuito estimular a literatura nacional divulgando autores e disponibilizando contos gratuitamente a todos os leitores. É editada por Michele Machado Fernandes.

A Revista Subjetiva tem um histórico de publicação de diversos autores, especialmente no âmbito da não-ficção. Tem ficção também, claro, mas entre todas as revistas citadas até então essa é a única que tem muita coisa nesse viés.

A Revista Garupa reúne contos, poemas, cartas, tudo muito bom. Vale destacar também a beleza do site e da identidade visual do projeto.

A Revista Jezebel é um braço da Editora Colenda e conta com a curadoria da Fabiane Guimarães. Autoras como Natércia Pontes, Monique Malcher, Dia Nobre, Paulliny Tort, Cristina Judar, Marcela Dantés, Cecília Floresta e Tatiana Nascimento já deram as caras por lá.

A Deriva é um publicação independente de cultura contemporânea interessada em tratar de temas relacionados ao mundo da literatura, cinema e psicanálise.

A Revista Toró recebe trabalhos de literatura, crítica e todo tipo de atravessamento artístico em fluxo contínuo. Tem poema, tem conto, tem resenha e tem textos comentando obras visuais.

A Revista Minha voz é um projeto digital, colaborativo, independente e sem fins lucrativos e tem como objetivo ser um espaço de diversidade e compartilhamento, enquanto fomenta trocas artísticas e literárias.

A Revista Editar é um projeto relacionado ao curso de Letras – Tecnologia de Edição do CEFET-MG e tem a intenção de funcionar como um laboratório de edição, revisão, curadoria e afins dos alunos. Com diversas edições espalhadas online, estando a maioria disponível no ISSU para leitura, é possível participar no momento da chamada para textos para a 13ª edição.

A Intransitiva é uma revista digital cultural-artística de acesso livre da UFRJ, que publica textos literários e visuais.

A Revista Literária Grifo propõe uma saída para uma travessia singular pela via da escrita e das artes visuais, abrindo caminhos para contornar os vazios que nos constituem, seja lá o que isso significar.

A Revista Contexto é um projeto voltado para a literatura contemporânea que tem o intuito de reunir produções literárias que expõem o nosso contexto político, econômico, e social, buscando provocar reflexões dolorosas, mas necessárias.

A Revista Vício Velho, editada pela Carolina Hubert, é voltada para a literatura e já está na sua 26ª edição.

A Revista Passaporte é uma revista colaborativa brasileira voltada para todos que gostam de ler e escrever sobre viagens.

Delirium Nerd é um site colaborativo escrito por mulheres, com matérias sobre cultura, comportamento e representação feminina, com destaque em produções feitas e protagonizadas por mulheres. Idealizado por Isabelle Simões está no ar desde 2016.

Porco Espinho é um site de entretenimento voltado para cinema/tv, música e literatura.

O Homo Literatus tem como premissa tornar a literatura um conteúdo acessível e interessante dentro da internet.

O Leitor Cabuloso é um site dedicado a todo mundo que gosta de literatura. Tem contos, colunas, resenhas e variados podcasts voltados para escrita, leitura e criação.

Valkirias é um espaço dedicado à cultura pop criado e realizado exclusivamente por mulheres. Com intenção de pensar música, cinema, tv, literatura e games sob uma perspectiva feminista, elas escrevem.

A Revista Philos tem como objetivo transformar as afinidades literárias e artísticas em instrumentos de cooperação entre os povos latinos.

A Revista A Taverna é voltada para a divulgação de textos e autores que escrevem ficção científica, fantasia e terror.

A Revista Trasgo é voltada para a ficção científica e fantasia. Eles não publicam mais contos, mas tem um belíssimo acervo!

A Revista Avessa se coloca como autoral, criativa e diferente. É voltada para o fantástico.

A Revista Mafagafo é criativa, bem preparada e voltada para a publicação de textos nos gêneros ficção científica e fantasia.

A Eita Magazine! foi criada para divulgar a produção de ficção insólita brasileira para o público estrangeiro, para revelar as tendências da ficção fantástica contemporânea e inserir a produção brasileira no diálogo cultural do mundo.

A Fantástica 451 divulga análises, resenhas e críticas relacionadas às Narrativas Fantástikas, como a Ficção Científica, Fantasia, Horror, Weird e demais relacionadas, tanto em literatura quanto em cinema e outras mídias.

A Revista Pretérita é voltada para a divulgação de obras do gênero ficção histórica.

A Fale Com Elas não está mais em atividade, mas ainda reúne vários trabalhos literários produzidos por mulheres. Tem resenhas, contos, poemas, híbridos, crônicas e ensaios.

A Revista Pasmas é voltada para a publicação de mulheres e tem como editoras Heloisa Pait, Juliana de Albuquerque, Ludmila Franca-Lipke e Thainá Pedroso.

A Escrita Droide é uma revista-blogue voltada para a publicação de poesia.

A E-feito Coliteral é uma revista literária digital que tem a intenção de homenagear a língua portuguesa e seu pluricentrismo.

O Jornal Relevo é um impresso mensal de cultura, sobretudo literatura, feito em Curitiba desde agosto de 2010, pelo jornalista Daniel Zanella.

A Chama é um projeto voltado para a valorização e a difusão da literatura feita na cidade de Belo Horizonte, tendo tido uma newsletter semanal de divulgação de eventos culturais por um tempo.  Fundada por Flávia Denise, a revista teve algumas de suas edições publicadas a partir da aprovação de projetos em editais de cultura da cidade de Belo Horizonte. Aparentemente em hiato.

A Literatura e Fechadura é uma plataforma que se dedica à promoção e fomentação da arte, poesia brasileira contemporânea, entrevistas, contos, crítica literária, abrangendo uma variedade de textos literários e cultura geral. O editor e poeta Jean Narciso Bispo Moura está à frente da curadoria dos conteúdos publicados.

A PISEAGRAMA é uma plataforma editorial sem fins lucrativos, sem publicidade e open access que se dedica a inventar confluências, catalisar ideias urgentes e reunir pessoas para pensar outros mundos possíveis em aliança com coletivos urbanos, LGBTQIA+, afro e indígenas.

REVISTAS QUE PODEM SER COMPRADAS

A Revista Peixe-Boi é uma revista de prosa e poesia editada pela editora Jabuticaba.

A Olympio é uma revista literária independente que enfatiza a produção ficcional, poética e ensaística contemporânea, incluindo ainda perfis e entrevistas, tradução de textos literários, relatos de viagem, ensaios visuais e fotográficos.

A Revista Intempestiva é uma publicação da Editora Urutau voltada para a literatura e artes. Tem poesia, prosa, tradução e ensaio.

A Revista Temporã busca ser um espaço de estímulo à produção literária e de formação de leitores e novas escritoras/es brasileiras.

A Revista Ouriço é uma publicação da Macondo Edições voltada para poesia e crítica cultural.

ALÉM DO INDEPENDENTE

A Revista Suprassuma é um o projeto do selo Suma, da Companhia das Letras. Digital, colaborativa e gratuita, procura textos de ficção especulativa e os disponibiliza gratuitamente para leitores em edições especiais, formadas a partir de chamadas temáticas.

A Revista Traços é um projeto projeto social que se propõe a auxiliar na reinserção de pessoas em situação de rua e/ou extrema vulnerabilidade financeira no mercado de trabalho e ao mesmo tempo difundir informações e novidades sobre as iniciativas artísticas e culturais da cidade – bem como de seus idealizadores – e se consolidando como uma referência para os artistas e entusiastas da cultura.

O Suplemento Pernambuco é um jornal criado em 2007 como suplemento cultural do Diário Oficial do Estado de Pernambuco. Ele se propõe a falar de literatura e a questões do contemporâneo, sendo uma ótima leitura para quem quer pensar em livros nesse viés. Tem circulação nacional e periodicidade mensal.

A Revista Continente se apresenta como um veículo contemporâneo de jornalismo cultural com periodicidade mensal, produzida em Pernambuco desde 2000. É da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e um dos maiores importantes espaços culturais produzidos fora do eixo Rio-São Paulo.

A Quatro Cinco Um se coloca como uma revista voltada para os livros e faz um sucesso danado com seu famoso listão.

A CULT é uma revista mensal voltada às áreas da arte, cultura, filosofia, literatura e ciências humanas.

O Publishnews nasceu como uma newsletter, mas hoje é uma publicação diária que forma um portal de novidades literárias.

O Rascunho publica ensaios, resenhas, entrevistas, textos de ficção
(contos, poemas, crônicas e trechos de romances), ilustrações e HQs e oferece bastante conteúdo exclusivo para assinantes. Fundada em Curitiba/PR, tem circulação nacional e periodicidade mensal.

COLABORE COM O ACERVO

Essa é uma lista obviamente incompleta, centrada principalmente no que conheço e lembro que conheço, então, por favor, compartilhem comigo novos links de projetos independentes (ou não) e não me xinguem porque eu esqueci de listar onde vocês escrevem ou editam.

A caixa de comentários está aberta e, ao menos inicialmente, esse post passará por pequenas edições para acréscimo dos projetos sugeridos.

somos acostumados a pular de cabeça em um vale de cacos pontiagudos

Acervo pessoal – “Paraquedas” – colagem analógica feita por mim

elas são trepidantes
vibram com o movimento
nada retilíneo nem uniforme
do ar e da saliva
nas cordas vocais

em um estalo da língua
elas se espatifam no bafo
produzindo um barulho
baixo médio alto altíssimo
dependendo da vizinhança
nem os cães com seus
ouvidos biônicos 
sensíveis a qualquer 
mini-estrondo
conseguem
escutar

elas saem da boca
como se fossem cogumelos cuspidos
pulando de finquete numa piscina
metade cheia metade vazia

depois do pulo
quem manda é atmosfera
ela pode destroçar um bom paraquedas
derramando pedaços pela casa inteira
ou fazer planar uma maçã
contra a gravidade

a palavra é sempre um risco

se você gostou desse poema inédito, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram.

esse post foi feito em comemoração ao Dia Mundial da Poesia. no Instagram você pode acessar uma versão mais visual desse trabalho.

fulaninha

Acervo pessoal – “Movimento” – Colagem analógica feita por mim

não dorme
horrorizada
com quem deveria ser
mas não é
com o que deveria ter
mas não tem
com o que deveria fazer
mas não faz

é assombrada
pelos equívocos cometidos
por seus crimes sem previsão legal
todos já com audiência marcada
no pior dos tribunais morais

​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ ​ o próprio

pensa
nas rezas devidas
nas penitências nunca feitas
na punição à espreita
toda vez que ousa
ser a mulherzinha endiabrada que é

que pelo menos hoje, mais um oito de março, deixemos a culpa de lado. Sejamos mulherzinhas endiabradas que dizem foda-se para essa ideia de que a gente tem que fazer por merecer para ter dignidade, respeito e paz.

esse poema faz parte do meu livro “eu investigo qualquer coisa sem registro”, obra que foi selecionada para publicação no concurso Poesia InCrível de 2021. se você gostou, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram.

memória celular de um peixe abissal

Colagem analógica triplicada e editada no Canva por Thaís Campolina – Acervo Pessoal

à toa e preocupada
exploro minha casa
como se fossem vivos
os móveis e as paredes

um demônio me provoca
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀⠀ ⠀ ⠀ e eu respondo oi
entregando que estou
perto da janela da cozinha
cinco segundos depois
curiosa e ávida por um pão
olho direto para o inferno 
esperando a vertigem
desse sumidouro

a oxigenação do cérebro
continua a mesma
a pulsação também
meus cotovelos dobrados
esbarram na toalha de mesa
me fazendo sentir na pele
o carinho de um mundo
de farelos esquecidos 

nessa voragem
não há tontura 
nem taquicardia
eu sei que estou
onde deveria estar

usando bons binóculos
frente ao espelho do banheiro
consigo olhar de volta
e me ver a qualquer tempo
caçando no escuro
mais alimento

o abismo sou eu
e ai de mim
se não continuar
a nadar

Se você gostou desse poema, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram. Se interessou em conhecer mais do meu trabalho? Baixe meu livro de poesia aqui e compre o e-book do meu conto avulso “Maria Eduarda não precisa de uma tábua ouija” na Amazon.

abismo

Colagem analógica por Thaís Campolina – Acervo Pessoal

ninguém queimou livro nenhum
rasgaram alguns poucos
eram sobre direitos humanos
e foi na surdina
no silêncio
no conforto
de uma biblioteca

os livros
ocupavam sua morada
prateleira de direito
provavelmente
em ordem alfabética
para serem desordenados
pelo leitor que não respeita
as regras
e devolve para prateleira
o que lê na mesa

dessa vez
a desordem que veio
não foi um grifo ansioso feito por uma lapiseira
foram páginas e mais páginas rasgadas
inclusive a que tinha uma foto que dizia

ditadura
nunca mais

esse poema faz parte do meu livro “eu investigo qualquer coisa sem registro”, obra que foi selecionada para publicação no concurso Poesia InCrível de 2021. se você gostou, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram.

técnica legislativa

Colagem de autoria de Thaís Campolina — Acervo Pessoal

PRÊAMBULO

esse poema entra em vigor na data de sua publicação
ele não diz nada que você não saiba
mas estabelece prazos novos
procedimentos especiais
e tira o conforto criminoso
de um ou outro homem
que vê essas palavras reunidas
e só se assusta quando nota
um nome feminino
que ousa publicar 
poemas-lei

CAPÍTULO I

saiu um poema no diário oficial
ele mesmo se chama de porcaria

CAPÍTULO II

daqui para trás
somente leis 
que criam direitos 
para o povo 
são permitidas

de hoje em diante
tudo será diferente
depois não diga
que não leu as letras 
miúdas

CAPÍTULO III

morrer será proibido
viver mais ainda
eu não faço ideia 
de onde você vai 
enterrar seu pai

talvez no seu quintal 
ou no lote da esquina

aqui não
aqui não pode
já tem morto demais
o cemitério está lotado
todo dia morre vinte trinta cinquenta e cinco
e nosso espaço comporta nem dez

CAPÍTULO IV

já notou 
como a estrutura 
de uma lei pode 
ser subvertida

pode virar até arte
um poema moderno ruim
um papo sobre escrita não criativa
uma colagem de palavras 
muito consultadas 
em qualquer 
dicionário

um poema-lei
todo dividido em artigos longos 
que não dizem nada demais
e incisos que fingem trazer 
[concretude] 
ao que é feito para ser 
~abstrato~

DISPOSIÇÕES GERAIS

a lei é metafísica
o poema também
o concreto e o real dependem 
de um encaixe especulativo
nada perfeito

o que dizem
estrofes & versos
parágrafos & incisos
e muitas alíneas
sobre fatos & verdades
que são só suas?

Se você gostou desse poema, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram. Se interessou em conhecer mais do meu trabalho? Baixe meu livro de poesia aqui e compre o e-book do meu conto avulso “Maria Eduarda não precisa de uma tábua ouija” na Amazon.

notícia de um 1 milhão de euros

três figuras sem rosto encaram um homem em seu primeiro dia de trabalho

o homem tem rosto e parece entediado

nunca sabe para onde as três figuras olham

parte do trabalho de um profissional da segurança da arte envolve medir a distância das mãos das bolsas e dos olhos dos planos, ele diria se quisesse se justificar para o fantasma de Anna Leporskaya

mas ele não diz nada

mesmo demitido e ameaçado de ter que quitar uma multa e ainda pegar três meses de cadeia na Rússia

ele apenas não diz nada

exatamente como as três figuras sem rosto que ganharam temporariamente olhos continuam fazendo mesmo ostentando essas novíssimas bolinhas de gude transparentes na cara.

essas bolinhas discretas feitas sob medida por um estranho homem de 60 anos.

esses olhos-bolinha desenhados pelas mãos criativas de um homem que se recusa a se explicar.

esse homem que andou por todo um museu empunhando uma perigosa caneta esferográfica.

esse criminoso que está sempre pronto para rabiscar olhinhos e carinhas felizes onde conseguir chegar com sua BIC ou semelhante russa

um homem que jura não ter nada a dizer

talvez porque no lugar de rabiscar bocas
ele escolheu abrir olhos

olhos com data marcada para se apagar

isso se o fantasma de Anna Leporskaya deixar

Se você gostou desse poema, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram e leia a notícia que me inspirou a escrever essa bobagem. Se interessou em conhecer mais do meu trabalho? Baixe meu livro de poesia aqui e compre o e-book do meu conto avulso “Maria Eduarda não precisa de uma tábua ouija” na Amazon.

qual é a gôndola dos pirilampos?

Colagem digital  por  Thaís Campolina — Foto de David Veksler (Unsplash) sugerida pelo meu amigo Guímel Bilac.

sempre gostei muito de chocolate
podia ser aquele de moedinha
bola de futebol ou guarda-chuva
podia ser bombom sonho de valsa
milkbar, sensação, prestígio
kinder ovo, mundy e ferrero rocher
podia ser chocolate da turma da mônica
podia ser, sem sorte, até brigadeiro
só não dava para comer bombom caribe
caribe sempre foi um pouco demais até para mim

por mais que eu gostasse de chocolate
e você pode ter certeza que era muito
meus hobbies iam além do açúcar
e os marketeiros sabiam disso
nenhuma bobeirinha de criança comer
jamais encontrou fim em si mesma
since 1989

o mundo era cheio de surpresinhas
e toda gostosura ganhava continuidade
no uso dessa nova descoberta
que vinha lambuzada
de doce ou gordura trans
fedendo excursão de escola
para a fábrica da coca-cola

tinham tazos nos chips
adesivos das spice girls nos pirulitos
figurinha na balinha que tirava bafo
tatuagem temporária no chiclete
pelúcia no leite parmalat
e brinde de kinder ovo

o kinder ovo tinha um gostinho
de leite de vacas premiadas
mas eu amava mesmo
eram as cápsulas de plástico
que envolviam minha diversão futura

não tinha separação de gênero
no kinder ovo nessa época
a surpresa se fingia ingênua

se podia brincar com quase tudo
que as mães deixassem
desde que a criança tivesse
quem pagasse por ela
os olhos da cara

de todas as coleções
de brinquedinho kinder ovo
que pude conhecer
pelas minhas mãos
ou pela propaganda que
passava no intervalo dos
desenhos na tevê
nenhuma me agradou
mais que aquelas
lanterninhas esquisitinhas
em formatos cotidianos

eu trocava qualquer coisa
por esses brinquedos
caga-fogo

quando meus pais me mandavam para cama
e eu precisava continuar lendo
ou queria continuar brincando
acendia minhas luzinhas
em formato de animais
e eletrodomésticos
debaixo do lençol

amava o telefone de discar com o dedo
porque a luz dele era bem vermelha
e me ajudava a ler
as letrinhas miúdas
de qualquer livro
da biblioteca

amava também o cisne elegante
de luz verde fraquinha
tão fraca que foi o que
me ensinou a deixar
o sono chegar
na hora certa

agora posso
simplesmente ligar
a luz do quarto
varar madrugada
lendo ferrante
se quiser

agora também posso
simplesmente deitar
e dormir

aprendi a sonhar
sem ajuda dos meus vagalumes
que foram queimando com o tempo
no fundo da gaveta da casa
que não moro mais

hoje ninguém manda mais em mim
mas também não tenho quem me compre
kinder ovo com ou sem separação de gênero
preciso fazer meu próprio brigadeiro de colher

todo mundo agora se diz muito
preocupado com minha glicose
acham que eu deveria viver de comer
só meus bichinhos luminosos

Se você gostou desse poema, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram. Se interessou em conhecer mais do meu trabalho? Baixe meu livro de poesia aqui e compre o e-book do meu conto avulso “Maria Eduarda não precisa de uma tábua ouija” na Amazon. Esse poema também foi publicado na Revista Mormaço.

três poemas insólitos

Colagem digital feita por mim a partir de elementos disponíveis no Canva

cabelo trançado já foi pecado
trança em escamas é penteado
mulher peixe cavalo

***

como produzir sua própria criatura

providencie papel machê e imaginação
faça aulas de biscuit cerâmica bordado bruxaria
e se der tempo aprenda a lidar com lã, poções e amigurumis
consulte mary shelley
pense na ovelha dolly
não cometa os mesmos erros que albieri
veja filmes de ficção científica
leia histórias de horror
e algumas de amor também
modele essa massa amorfa
até que ela faça sentido
e após terminar
proteja sua criação

***

oh my god

o mercado financeiro é
uma partida de pingue-pongue profissional
uma ficção contada como biografia séria
de um homem branco qualquer
uma seita que promete a reabilitação
de pessoas jurídicas desesperadas
um jogo de espelhos
de um parque caindo aos pedaços
cuidado pra não ir para o lado errado
cair no conto do vigário
acreditar em compliance
e maquiagem contábil

há tantos caídos
na base da pirâmide
um mar de gente sem deus
a falência é o maior dos pecados

esses poemas fazem parte do meu livro “eu investigo qualquer coisa sem registro”, obra que foi selecionada para publicação no concurso Poesia InCrível de 2021. se você gostou desses poemas, deixe um comentário, compartilhe com seus amigos e me acompanhe também pelo Medium,  Facebook,  Twitter,  Tinyletter  e  Instagram para não perder a data do lançamento que vem aí.