24 de maio

Obrigada pela imagem alcançada, editor Canva

Tenho sentido o tempo me atropelar. Não por excesso de tarefas necessariamente, mas porque por aqui não se encontra foco algum. Tenho a sensação que sem a rua, as caminhadas, os bares e os encontros, toda a diversão passou a ser mediada pelas telas, por alguma espécie de consumo e também por um cansaço sem nome que vem da desolação coletiva que vivemos como brasileiros.

Por isso, na última newsletter do apoia.se, falei sobre ser impossível acompanhar tudo, sobre como nosso entretenimento tem sido reduzido, cada dia mais, a quantidade de coisas que a gente consegue ver/ler/ouvir em velocidade recorde, sobre eu não querer alimentar essa dinâmica que é causa e consequência da ansiedade que minha geração convencionou chamar de fear of missing out (FOMO).

Estamos exaustos e exaustos achamos que descansamos buscando mais exaustão, correndo ofegantes atrás da ilusão de um respiro, um tempo pra nós e de um desligamento momentâneo da noção de onde estamos.

Tenho tido muita dificuldade de me encontrar em meio a tudo isso e, principalmente, criar qualquer coisa. E, apesar da minha mente sempre acelerada, nesse meio tempo tenho sentido a necessidade de tentar cultivar o valor de fazer as coisas devagar, tentando descobrir o que é ágil em mim porque sim e o que foi ficando desse jeito porque o mundo assim impôs.

Quem sabe construindo um novo jeito de funcionar, encontrarei de novo a fluidez criativa que sempre me comoveu. Quem sabe tentando fazer diferente e enfrentando a inércia dos hábitos, vou esbarrar de novo com a vontade que nos leva ao movimento. Talvez essa seja a única esperança que eu sou capaz de cultivar nesses dias de tanta indignação. Todo resto, infelizmente, parece uma utopia que eu desaprendi a imaginar.

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Eu continuo tentando

Print do site “E se o jogo Brasil x Alemanha ainda estivesse rolando?” porque o sentimento atual é como se fosse isso aí.

O Brasil vive vários 7 x 1 diários. Na verdade, tem dia que a gente nem consegue esse golzinho de honra. A gente tem sentido o cheirinho da ameaça de perder direitos toda hora, estamos acuados, assustados e tão impressionados com a rapidez de tudo que está acontecendo que simplesmente ficamos assistindo a cada perda e a cada ameaça sem piscar e sem conseguir fazer muita coisa. Quando se ataca a capacidade de ter esperança, é difícil fazê-la brotar de novo.

Eu continuo tentando. Sou dessas que ainda digita um textão na caixa de comentários do Facebook de páginas de grandes jornais brasileiros, sou dessas que continua buscando o diálogo, sou dessas que tenta não desistir e se apega às pequenas vitórias para conseguir seguir com esperança. Mas também sou dessas que tira férias de acreditar e deixa a vida seguir até conseguir fazer tudo isso de novo, porque acreditar tem vez que dói e a gente precisa se afastar para cuidar dessas feridas. Tem que ficar esperto, sabe? Porque se a gente não descansa de acreditar, a esperança não é mais capaz de regenerar e morre.


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